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Destaques

REUNIÃO DE PAIS – 1º TRIMESTRE 2012

A CRIANÇA FALANDO DOS LIMITES


Laura Monte Serrat Barbosa

Texto publicado no Boletim da
Associação Brasileira de
Psicopedagogia – Seção Curitiba,
em abril / maio de 2000.

Quando fui gerado, cresci numa bolsa, dentro de minha mãe. Nós dois construímos um cordão que nos ligava. Eu não percebia que este espaço era tão pequeno; tinha a impressão, no início, de que o universo era só meu.
Conforme fui crescendo, fui sentindo os limites.
Quando me mexia, minha mãe logo percebia. A minha vontade era a de tomar conta de todo o seu corpo, mas eu não podia porque eu não era ela; eu era um ser distinto, para o qual foi reservado somente aquela bolsa.
Quando nasci, este espaço aumentou. Confesso que me senti um pouco perdido e comecei a chorar. Embora eu tivesse muito mais que uma bolsa para estar, surgiu o primeiro grande limite deste espação: eu teria de, naquele minuto, aprender a respirar. Por isto chorei. Chorando, meus pulmões começavam a aprender como teriam que fazer para deixar o ar entrar. Minha mãe agora não respirava mais por mim. Que saudade daquela bolsa!
Esta saudade não durou muito, pois logo o espação passou a ser delimitado. Puseram-me no colo, num berço, dentro de roupas, e comecei a me sentir mais seguro.
Dali a pouco, percebi que minha mãe não se alimentava mais por nós dois, e novamente coloquei o “chorador” para funcionar, pois o meu corpo me avisava que eu precisava me virar. A partir daí vieram os horários, e eu comecei a aprender que nem tudo é como a gente quer, na hora que se quer e na quantidade que se quer.
Fui crescendo, mesmo com todos estes limites, e continuei achando que o espaço grande e eu éramos a mesma coisa.
Então, fui aprendendo a resistir às limitações que a vida começava a me ensinar: não queria comer na hora de comer; queria comer somente os doces; não queria tomar banho; não deixava cortarem minhas unhas; queria o brinquedo maior, mais colorido e, se desse, um monte deste brinquedo de uma só vez.
Tinha a sensação de que eu controlava tudo. Meus pais, no entanto, não deixavam o controle na minha mão. Isto deu um certo alívio. Conheço um amiguinho que ficava com o controle e sofria muito, pois seu espação foi ficando cada vez maior, e ele tinha tudo o que queria, mas tinha um baita medo de, tão pequenininho, não dar conta daquela imensidão.
Eu chorava quando os meus pais me ensinavam, mas como lá no meu bercinho o choro me ajudava a entender mais um pouquinho desta vida.
Mais velho um pouco, não precisava chorar constantemente, pois aprendi a falar e logo usava esta aprendizagem para persuadir os meus pais. Os danados não se deixavam enrolar e iam a cada dia mostrando que os limites nos ajudam a nos tornarmos humanos.
Meu amiguinho, aquele de quem falei há pouco, foi ficando cada vez mais bicho. Ele gritava muito, jogava-se no chão, chorava, batia, dava chutes e, no final, ele conseguia romper os tênues limites que lhe eram colocados e continuava com o controle nas mãos.
As pessoas não gostavam muito dele e começaram a chamá-lo por uns nomes difíceis, mas que queriam significar que ele não estava crescendo: egoísta, panaca, bobalhão, chato, insuportável! Cada vez que ele ouvia uma palavra destas, achava que isto é que era correto e passava a fazer mais malcriações para fazer jus ao rótulo que lhe estavam dando.
Coitado! Com tanta coisa e sem paz. À noite, dormia agitado; acho que também chutava os sonhos. De dia, não enxergava um passo diante do nariz.
Eu aprendi que para ver para além de nós mesmos é preciso encontrar obstáculos, pois estes fazem com que possamos buscar saídas e olhar para os lados, para frente e para trás. O que muita gente acha que é ruim, como um não na hora que queremos muito alguma coisa, é o que vai manter acesa a chama do desejo e vai, certamente, fazer com que possamos encontrar formas mais adequadas de obtermos o que queremos. Este esforço que fazemos para romper barreiras é o que vai provocando nosso crescimento emocional e cognitivo.
Acho que é por isto que eu estou aprendendo tão rapidamente as coisas na escola. Meus pais me ensinaram que o não é algo que faz parte de nossa vida. Já o meu amiguinho, está tendo muitas dificuldades; não aceita as regras existentes, pois sua vida até aí foi feita somente de satisfações imediatas.
Fico pensando que quem tem tudo o que quer, na hora que quer, apaga a chama do desejo, não precisa fazer nenhum esforço e, com isto, não cresce.
Já imaginaram alguém sem desejo? Eu penso que este alguém se torna insaciável, pois não precisa buscar, esperar; está sempre engolindo as coisas, como elas vêm. E quem consegue aprender, alimentar-se, engolindo sem mastigar, sem digerir, sem selecionar o que é bom e precisa permanecer, daquilo que se pode deixar de lado?
Por isto, agora que estou bem maior, entendo que limites na dose certa não nos fazem sofrer. Pelo contrário, permitem que a gente vá aprendendo a lutar por aquilo que deseja, aprendendo a ficar forte para enfrentar as dificuldades e aprendendo a contra-argumentar para que os limites não se tornem rígidos demais e impossíveis de serem flexibilizados caso a gente precise.
Por isto, pais de todo o mundo, não deixem de colocar limites nos seus filhos, pois é assim que vocês estarão possibilitando que eles se tornem verdadeiros cidadãos e seres mais humanos.


                                                 

Avaliação diagnóstica

Realizamos no mês de fevereiro avaliações diagnósticas em nossos alunos.

Estas avaliações têm o objetivo de diagnosticar possíveis dificuldades, fazendo em seguida os encaminhamentos necessários, tais como:
  • Plantões de dúvidas/reforço
  • Orientação de estudos
  • Atividades extras
O resultado destas avaliações colabora com o professor em seu planejamento de aula.

Desta forma certificamo-nos do empenho de toda a equipe para a busca constante da qualidade do processo ensino-aprendizagem.


                                                 

Educadores do Rezende participam de Congresso de Educação

No último dia 17 do mês de março, a equipe do Colégio Rezende, participou do seminário de Educadores promovido pela Rede Pitágoras em São Paulo.
Estes momentos proporcionam, para todos, possibilidade de reflexão e troca em nosso fazer pedagógico.



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